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O que fazer em Salvador, na Bahia

O que fazer em Salvador, na Bahia

 

Antes de ir para a Chapada Diamantina, o Ale e eu ficamos dois dias em Salvador. Ele já conhecia, mas foi a primeira vez que eu estava pisando na Bahia. Então estava empolgada com a possibilidade de conhecer tudo que eu sempre via nas minhas pesquisas sobre o estado. Estava especialmente curiosa para conhecer Salvador, pois sabia que ali, eu teria uma opinião bem clara sobre o lugar, e foi exatamente assim que aconteceu.

Primeiro, quero dizer que a cidade é sim linda. O Pelourinho é lindo. Aquele lugar tem uma energia histórica que só estando lá para saber e sentir. Tantas coisas aconteceram por lá (até o Michael Jackson gravou videoclipe lá). Mas a verdade é que a cidade em si, numa visão geral, está abandonada, assim como o Pelourinho. Um reflexo da nossa política egoísta onde os governantes só fazem o que lhes convém, e não o que é bom para o povo. Fico revoltadíssima quando paro para pensar no potencial que nosso país tem, no quão rico nosso país é e estamos todos literalmente sem governo, sem direção e sem cuidados. As pessoas que deveriam zelar pelo povo, só pensam em roubar, cobrar impostos que jamais veremos o retorno e roubar de novo. Enfim… Se eu começar a escrever sobre isso, só paro amanhã, pois para mim está tudo muito claro sobre quais são os problemas de verdade daqui do Brasil.

 

Mas vamos falar sobre o abandono de Salvador. Não fui para outras cidades, mas como vivo em São Paulo, sei que aqui também não está das melhores, mas ainda temos uma certa sensação de segurança em alguns lugares e querendo ou não, São Paulo meio que anda sozinho e ainda leva muitos outros estados com ele. Mas a Bahia é sim um estado pobre, as pessoas são pobres, humildes e simples. Eles sofrem com o descaso do governo e mesmo assim, continuam sorrindo.

Voltando ao Pelourinho… (nossa, como eu viajo escrevendo sobre problemas sociais do nosso país) Ele está cheio de coisas para fazer, foi dominado por moradores de rua e de noite existem incontáveis brigas nos bares ao redor. Durante o dia podemos caminhar, fotografar, mas sempre vem alguém para falar com você, pedir dinheiro. Fique esperto, não vi nada demais, mas é sempre bom ficar atento, pois quem quer fazer algo de errado, faz quando estamos distraídos. As baianas (vestidas de baianas) virão falar com você também, mas elas são super simpáticas.

O Centro Histórico de Salvador está bem, mas beeeeem detonado. Cheio de bares, ruas escuras e algumas até que dá medo de passar, cheio de pessoas mal encaradas, muitos bêbados e moradores de rua tão loucos que falam sozinhos (mas isso acho que acontece em qualquer cidade do nosso país). Se procurar, deve ter muitos pontos de venda de drogas. Por isso, fique esperto quando estiver andando por lá e não marque bobeira com celulares e câmeras fotográficas. Prefira andar pelo Centro Histórico durante o dia. Os hotéis dessa região também não são dos melhores.

Visitamos a Igreja de São Francisco de Assis, que fica pertinho do Pelourinho. Foi simplesmente a igreja mais linda que já vi em toda minha vida (o Ale disse que em Minas, nas Cidades Históricas, a maior parte das igrejas são nesse esquema, barroco), e olha que já andei por igrejas em todos os países que já passei. É de cair o queixo de tão linda que é, mas novamente, assim como toda a cidade, está abandonada.

Na parte de dentro, tudo é mantido. Mas na parte de fora, onde está o claustro, existem azulejos portugueses que revestem toda a parede que circunda o claustro. Para você ter uma ideia, eles tiveram o cuidado de colocar gazes (isso mesmo, aquelas gazes que usamos para fazer curativo) nos azulejos para que eles não caíssem, para que de algum modo, eles fossem preservados um pouco mais. A tintura está péssima, a parede está caindo. Falta manutenção nessa igreja linda e histórica de Salvador. Falta cuidado. É triste ver algo tão lindo assim, ruindo sem ninguém fazer nada.

A sensação (péssima) que eu sinto é como se aqui no nosso país, ninguém se importasse com a nossa história, de onde viemos. É como se isso não tivesse importância alguma. Mas não precisa e não poderia ser assim. Uma das coisas que eu mais admiro na Europa, é que lá o povo ama sua história, tem orgulho disso e cobra sim dos governantes, para que eles cuidem do que é histórico para eles. É a pura cultura de um país. Mas aqui não. Aqui, os governantes preferem tirar as terras dos índios e simplesmente esquecer nossa história.

Bom, continuando em Salvador (senão esse texto vai ficar muito social pro meu gosto). Uma visita obrigatória é para a Igreja do Senhor do Bonfim. Ela fica um pouco mais afastada que todos os outros pontos da cidade, mas vale a pena ir de Uber. Milhares e milhares de fitinhas amarradas por todos os lados e tantos pedidos e desejos postos de coração ali. Juras de amor infinito, pedido para uma vida melhor e tudo com a benção do Senhor do Bonfim! Gostei demais da igreja, é muito linda também. E adorei ainda mais o visual que as fitinhas fazem ali. São lindas, coloridas. Fiquei apaixonada. Lá é o melhor lugar para comprar as fitinhas, pois você acha 10 delas por apenas 1 real.

Aí vamos para outra parte da cidade, ali no Centro. Podemos pagar alguns centavos de real e descer pelo Elevador Lacerda. Ele te leva para a cidade baixa, para perto da praia. É um passeio rápido, de apenas alguns segundos e a fila vai rapidinho. Mas vale a pena. É uma construção histórica também e a vista lá de cima, para a Baía de Todos os Santos, é linda. Acho que é um dos pontos mais bonitos da cidade para fotografar o oceano.

Chegando lá embaixo, na Cidade Baixa, você dá de cara com o Mercado Modelo. É um Mercado popular, com mais de 250 lojas, entre artigos de artesanato local, roupas, arte, lembrancinhas, etc. Também existem diversos restaurantes lá dentro. Nós não tivemos coragem de arriscar comer lá dentro (e olha que o Ale é zero frescura). O Mercado é sujo, então para comida eu não recomendo. Mas para comprar coisas, se tiver paciência para andar por lá, é uma boa. Mas novamente, estamos no centro da cidade baixa, então fique muito atento aos seus pertences.

Outro ponto interessante para conhecer é o Farol da Barra. Salvador é grande, então você terá que ir por algum meio de locomoção, como Uber ou ônibus. Mas vale a pena. É um lugar lindo, o farol é lindo e fica na Ponta de Santo Antônio. Aliás, algumas pessoas chamam o Farol da Barra de Farol de Santo Antônio. Aliás, toda a região da Barra é para ser visitada. Existem diversos shoppings e locais para comer por lá.

Agora falando das praias. É melhor evitar as que ficam perto do centro ou de grandes aglomerações de construções, pois sempre serão mais sujas. A Praia de Itapuã é uma das lindas praias de Salvador. Tão linda, que muitas tartarugas escolhem lá para fazer sua desova. Não é raro ver tartaruguinhas andando por lá. A Praia do Flamengo é bonita também, fica na região do bairro de Stella Maris. Aliás, a própria Praia de Stella Maris é bem bonita, com boas ondas e água limpa.

Para comer, o Ale e eu escolhemos a Bahia Marina, onde estão alguns dos melhores restaurantes da cidade. Tem de sushis, de gastronomia variada e até um café super charmoso. Além de estarmos em um clima de segurança ali dentro, todos os restaurantes são ótimos, com preços ótimos também. O restaurante que mais gostamos é um que se chama Das. Tem um pouco de tudo no cardápio e adoramos. Mas no quesito “melhor vista para comer”, o Restaurante Lafayette ganha.

Existem diversos museus na cidade, mas não conseguimos visitar nenhum. Até tentamos visitar um que ficava pertinho da Bahia Marina, o Museu de Arte Moderna da Bahia que se chama Solar do Unhão. Fica bem do lado da Bahia Marina, mas estava fechado quando fomos. Na verdade, nos disseram que ele estava fechado há algum tempo. Bom, eu acho isso um absurdo. Um museu, fechado.

Vale a pena conhecer outros museus na cidade. Como o Museu de Arte da Bahia, o Museu Afro-Brasileiro, etc. A Fundação Jorge Amado e o Museu Abelardo Rodrigues ficam no Pelourinho. Se você pesquisar e caminhar pelo Pelourinho e pelas ruas ao redor dele, vai encontrar muita coisa bacana para visitar. Ali também fica o famoso restaurante escola do Senac. Você paga um valor fixo e come o quanto quiser. Muito bom!

Ah! Claro que não posso deixar de mencionar o fabuloso Olodum! Eles costumam tocar em datas definidas, mas quase sempre podemos ter a sorte de ver um ensaio deles ou da escolinha que eles cuidam. Várias crianças curtindo aprender a tocar como o Olodum toca. Afinal, o ritmo deles faz até defunto se sacudir. Se tiver sorte (2) também vai ver vários caras lutando capoeira, em alguma praça da cidade. Não deixe de visitar também, a Casa de Iemanjá, que é um lugar especial feito para celebrar o amor e a devoção à Rainha dos Mares. A energia desse lugar é fantástica e muito intensa. Vale a pena conferir.

Bom, resumindo, tem muita coisa para fazer e ver em Salvador. Lembrando que tudo o que mencionei aqui foram experiências minhas, vivências e impressões minhas, particulares. Com certeza pode ter alguém que pense diferente, mas o que eu senti na pele, foi isso. Fico triste em dizer que Salvador é uma cidade linda, que está abandonada. Quero muito que chegue o dia em que tenhamos orgulho de viver nesse país.

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