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Música do Coração – Capítulo 17

Capítulo 17

Os dois entraram como um raio no hospital e logo encontraram Jane, que estava sentada na sala de espera da emergência, desolada, chorando e muito triste. Claire parou de correr assim que viu a mãe e parou para olhá-la. Estava com medo de descobrir o que havia acontecido com seu pai. Deu mais alguns passos e a mãe a viu. Jane se levantou e abraçou a filha, chorando. Claire precisava ser forte, acolheu a pequena mãe e acariciou seus cabelos.

– O que aconteceu com o papai? – Claire perguntou suavemente. Alex estava parado na porta, apenas observando.

– Claire, ele sofreu um infarto. Está muito mal. Talvez vá precisar operar.

Claire pensou no mesmo momento, em todo o descuido que o pai estava tendo com ele mesmo, até o dia em que Claire voltou. Não conseguia imaginar as coisas que o pai estava comendo, bebendo e a falta de exercícios. Talvez fosse tudo um conjunto.

– Mas como ficou sabendo? Ele passou o seu telefone para alguém? – Claire perguntou. Jane se embaraçou e voltou a se sentar, em silêncio. – Mamãe?

– Eu estava com ele, Claire. – Jane disse e logo Claire percebeu suas bochechas ficarem vermelhas. – Estávamos jantando. Ele cozinhou para mim. E… Depois estávamos conversando no sofá… – Jane estava falando olhando para o chão. Claire não sabia se chorava pelo pai ou se dava risada pela situação em que eles tinham se colocado. Balançou a cabeça e sorriu. – Aí, quando começamos a nos beijar, ele sentiu uma dor muito forte no peito e desmaiou. Liguei para a emergência e o trouxeram para cá. – Jane voltou a chorar e Claire se sentou ao lado dela, a abraçando.

– Mamãe, não foi culpa sua. Pare de achar isso. Vamos esperar para saber exatamente o que aconteceu. O médico já veio falar com a senhora?

– Ainda não. Estou apenas com as informações que os médicos da ambulância me passaram, mas são imprecisas. Já devem ter feito exames e o necessário aqui. Estou ansiosa, quero saber o que está acontecendo.

– Calma. Às vezes nem foi tão ruim assim. – Claire sorriu e abraçou a mãe. Ela olhou para Alex e fez sinal para ele se aproximar. – Mamãe, quero te apresentar uma pessoa. – Jane levantou o rosto e olhou para Alex. – Esse é o Alex. Alex, essa é minha mãe, Jane. – Alex sorriu e esticou a mão para apertar a de Jane, que sorria.

– Muito prazer, Alex. É você que anda cuidando da Claire quando ela bebe? – Jane sorriu entre lágrimas. Claire e Alex se olharam e deram risada.

– Pois é. Sou eu que estou com essa missão. – Alex deu risada. – Mas é bom. E ela cuida de mim também. – Claire sorriu pela cumplicidade que já existia entre os dois.

– Acho muito bom vocês dois cuidarem um do outro. – Jane olhou para Claire e piscou. – Você fez uma boa escolha, filha. Seu namorado é lindo. – Disse Jane, fazendo com que Claire se enrolasse e Alex deu risada.

– Não, não, mãe! Não estamos namorando. – Claire olhou para Alex, que ainda ria. – É… Estamos nos conhecendo. Não atropele nada, Sra. Jane!

– Ahhh, me desculpe. – Jane olhou para Alex e piscou para ele, que por sua vez, deu mais risada ainda. – Nunca entendo a modernidade dos relacionamentos de hoje. Quando conheci seu pai, ele me mandava flores todos os dias e me pediu em namoro no primeiro encontro. – Jane fez uma pausa, como se estivesse se lembrando de cada detalhe daquele dia, de cada palavra. Ela sorriu. – Não quero ficar sem seu pai de novo, Claire.

– Oh, mamãe! – Claire a abraçou novamente e Jane voltou a chorar. – Vai ficar tudo bem. Vai ficar tudo bem.

Alex segurou forte a mão de Claire e se olharam novamente. Ele não precisava dizer nada, apenas queria que ela soubesse que ele estava ali, para lhe dar todo o apoio necessário. Ela sabia disso e se sentia feliz por poder contar com ele.

Dezenas de minutos depois, uma médica entrou na sala onde os três estavam sentados, apenas conversando.

– Vocês que estão com o Sr. Steve Thompson? – Perguntou a médica alta e bem magra.

– Sim! – Exclamou Claire. – Como ele está?

– O quadro dele está estável agora. Fizemos uma desobstrução da artéria que provocou o infarto e agora ele está fora de perigo. Ainda está inconsciente e na UTI, mas acredito que em poucos dias ele estará bem. O tipo de infarto que ele teve foi bem perigoso, por sorte vocês ligaram para a emergência no tempo certo. Minutos fazem muita diferença, pois pode ocorrer uma necrose do tecido do miocárdio e isso é irreversível. Ele teve sorte de não estar sozinho, pois poderia ser fatal.

– Podemos vê-lo agora? – Disse Jane, quase implorando para ver Steve.

– Como eu disse, ele está inconsciente. Mas podem subir para vê-lo. Não se assustem, pois ele ainda está entubado, devido ao procedimento que tivemos que fazer. Vou acompanhá-los.

Enquanto caminhavam em direção ao elevador, Alex puxou Claire, para olhar para ele.

– Claire, acho melhor eu ficar aqui. Suba lá com sua mãe, eu espero aqui.

– Tudo bem, Alex. Já desço. – Ela o abraçou. – Obrigada por estar aqui comigo. – Eles sorriram e ela se foi com a mãe e a médica que ainda estavam conversando.

Na UTI, Claire ficou com o coração partido ao ver a mãe chorando pelo pai que estava mal. E também ficou triste por ver o pai naquele estado, mas aliviada com as informações que a médica havia passado.

Jane queria passar a noite com ele, mas era impossível um paciente ter acompanhantes na UTI de um hospital. Então só restava ir embora para casa e aguardar a próxima visita que seria às 10h da manhã do dia seguinte.

– Mamãe, amanhã dê um beijo no papai por mim. Só vou conseguir ir na visita da noite. Tenho compromissos amanhã na gravadora. – Disse Claire, sentada no banco do passageiro do carro de Jane, que estava dando uma carona para Claire e Alex, de volta ao apartamento dela.

– Claro, filha. Vou rezar para que ele esteja melhor e consciente. Preciso terminar a conversa com ele. – Os olhos de Jane brilharam e Claire sorriu.

– Hummm… Que conversa, Sra. Jane? Posso saber?

– É que… – Jane fez uma pausa e sorriu. – Ele perguntou se eu quero voltar para ele. Primeiro sendo namorada. – Claire abriu a boca, pasma. Olhou para trás e viu Alex dando risada. Voltou a olhar para a mãe e viu uma discreta lágrima escorrendo pelos olhos dela.

– E o que vai responder para ele?

– Ora, Claire. O que acha que vou responder? Claro que quero voltar a namorar com seu pai! Nunca deixei de amá-lo. Ele que sempre foi um mulherengo que namorava uma mulher atrás da outra, sempre colocando qualquer uma pra dentro de casa. – Claire percebeu que a mãe estava irritada e apertando com força o volante de seu carro. Deu risada e pensou que seria melhor mudar de assunto.

– Mãe! Não te contei! Vou pegar meu carro quarta-feira!

– Eu só namorei com um homem durante esses anos de divórcio! Ele namorou com oito! – Jane apertou mais forte o volante.

– Mãe! Você está ouvindo o que estou dizendo?

– A pior de todas era aquela loira obesa, que tinha um monte de celulite na coxa! Nossa, quase morri quando a vi. Eu posso estar velha, mas estou enxuta. – Jane disse, olhando para Claire.

– Eu desisto! – Disse Claire rindo e olhando para Alex. – Você viu só?

– Eu estou escutando as duas! – Alex levantou as mãos, dando mais risada.

– Chegamos, filha. Pode deixar que amanhã eu darei seu beijo ao seu pai.

– Qualquer coisa me ligue, ok? – Claire se aproximou e beijou o rosto da mãe. – Está bem mesmo, para ir para casa sozinha? Não quer dormir aqui?

– Estou bem, filha. Vou meditar. Preciso me equilibrar novamente. – Jane piscou para a filha e olhou para Alex, que já estava do lado de fora do carro. – Alex, foi um prazer conhecê-lo. Você é lindo! Está aprovado para minha filha. – Jane disse rindo e Claire beliscou seu braço, sem que Alex visse. Elas se abraçaram.

– Quando tudo isso passar, vou marcar um almoço para vocês se conhecerem melhor. Boa noite, mãe. – Claire saiu do carro e Jane foi embora. Alex abraçou Claire.

– Preciso ir embora, Claire. Já está tarde. E no fim, não escrevemos nada. – Ele sorriu.

– Verdade. Me desculpe. Mas pelo menos você estava comigo hoje. Adorei saber que posso contar com você. – Ela sorriu e ele passou a mão no seu rosto, a olhando com ternura.

– Pode contar sempre. – Eles se beijaram novamente.

– Você combinou alguma coisa com a Rose para amanhã? Estou com a agenda cheia de entrevistas e não vou poder acompanhar o que for fazer amanhã.

– Na verdade, ela disse que precisamos levar mais músicas. Mas que era para eu ir amanhã conversar com ela sobre o adiantamento que pretende me dar. Acho que você a preocupou muito com o fato de eu não ter uma casa. – Ele sorriu.

– Acho que eu a apressei um pouco. Mas tudo bem, não tem problema. Você vai dar muito lucro para nossa gravadora. Ficaremos devendo a você. – Ela deu risada e se abraçaram novamente. – Não quer ficar aqui? Já está tarde para ir embora.

– Outro dia eu fico. O metro ainda está funcionando. – Eles se beijaram. – Boa noite, Claire.

– Boa noite, Alex. – Ela respondeu e ele se foi, caminhando em direção ao metro.

Claire ficou observando enquanto ele se afastava. Pensando no quanto havia se apaixonado por ele. Pensou que ele também estava caindo na mesma velocidade que ela. Quando ele olhou para trás e sorriu para ela, teve certeza de que era ele que queria ao seu lado.

Ao entrar em seu apartamento, olhou para os pratos de comida na mesa e pensou que já estava sentindo a falta dele ali. Thor veio todo saltitante fazer festa à ela, que sorriu e pegou o cachorrinho no colo, brincando com ele também e sentando no sofá.

Ficou pensando que deveria escrever alguma coisa, estava com muita vontade de fazer isso. Estava com aquela sensação de que precisava colocar coisas para fora e ela sempre fazia isso através da escrita.

Ela deixou o cachorrinho entre as almofadas de seu sofá e foi buscar o computador. O ligou e ficou olhando alguns segundos para um arquivo aberto, sem saber o que escrever. Tamborilou os dedos, pensativa. Respirou fundo e começou a lembrar de todos os poucos momentos que teve com Alex. Queria que ele fosse sua inspiração. Sorriu ao lembrar da sensação que a barba dele provocava na pele do rosto dela. E também lembrou que gostava do som da risada dele.

Passou os dedos pelo teclado do computador e deixou que todos seus sentimentos fluíssem para fora, se transformando em algo incrível. Outra vez.

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