Enobacana

Degustação de vinhos Jerez, no Museu do Vinho em São Paulo

Degustação de vinhos Jerez, no Museu do Vinho em São Paulo

 

Para quem não sabe, estou fazendo um curso que há muito tempo queria fazer, mas faltavam oportunidades. O Curso de Formação de Sommeliers, lá na ABS (Associação Brasileira de Sommeliers). Um curso maravilhoso, um dos melhores do Brasil e super recomendo para quem também quer ter essa formação. Nada mais justo eu aprender tudo isso, pois o vinho sempre esteve presente nos meus dias e principalmente, aqui no blog. Assim não corro o risco (ou não) de escrever muita groselha (hahaha, pelo amor de Deus, eu sempre me informo muito antes de escrever qualquer coisa, é brincadeira).

Outro dia fui a uma degustação maravilhosa que para mim, foi muito educativa. Aliás, essas degustações de vinhos são sempre muito boas, pois a gente aprende e entende coisas, que não encontramos em todos os lugares. Dessa vez, os escolhidos para a degustação foram os vinhos Jerez. Esse evento fez parte da semana da Espanha aqui em São Paulo, então até lá na ABS teve degustação do Jerez. Além de provarmos alguns dos pratos da gastronomia espanhola também. O importante, é que os vinhos Jerez são bem peculiares, produzidos apenas em uma pequena região da Espanha. Só lá!

Mas o que é o vinho Jerez? É um vinho fortificado, produzido em torno da cidade de Jerez, na região da Andaluzia, no sul da Espanha. Considerado o vinho mais antigo do mundo, é produzido há mais de 2 mil anos, também pode ser conhecido como xerez ou sherry. Não é um vinho normal. Seu nível de complexidade é bem alto. A produção é feita em um processo único de corte em etapas (para quem não sabe, o corte no mundo do vinho significa a combinação de dois ou mais tipos de uvas na fabricação da bebida, quando é um vinho todo de um tipo só de uva, chamamos o vinho de varietal) onde são misturados vinhos velhos e novos, num sistema que eles chamam de solera.

Já que mencionei, vou explicar o que significa o esquema da solera. Baseia-se em misturar vinhos jovens e velhos, semelhantes, para ajudar a manter a constância dos vinhos. Tem o desenho de como é uma solera na foto abaixo, mas são fileiras de barris de carvalho (que eles chamam de escalas ou criaderas). A cada ano 2/3 do vinho de cada fileira são mesclados com 1/3 do vinho da fileira do ano seguinte. O vinho que é comercializado é o da fileira mais antiga, que é abastecida com a seguinte e assim sucessivamente. Não é difícil de entender. Eles misturam os vinhos entre os anos para que ele saia sempre parecido com o anterior, mantendo características que eles mais gostam no Jerez.

Para produzir os vinhos Jerez, eles costumam usar três tipos de uvas principalmente. A Palomino, que corresponde a 90% da produção dos vinhos, que resulta em um vinho seco e delicado. A segunda uva é a Pedro Ximénez (não estranhe o nome da uva) que seca ao sol depois de colhida. Esse processo faz com que seu açúcar fique concentrado, o que produz um vinho mais rico e encorpado. E a terceira uva é a Moscatel, que produz geralmente os vinhos mais doces.

As condições da parte da Espanha onde produzem o Jerez, são determinantes para as características e qualidade do vinho Jerez, o que o torna único no mundo. É uma região ensolarada (mais quente que o normal do resto da Europa) e tem influência marítima, por estar perto do Oceano Atlântico, recebendo muito vento úmido também. Bom, nesse cenário, deveríamos pensar em vinhos mais alcoólicos (por causa do calor e umidade que faz com que a uva amadureça mais rápido, tendo mais açúcar em sua composição), mas os vinhos Jerez das uvas Palomino, por exemplo, são vinhos leves, sem muito corpo e pouco ácidos. Os vinhos menos nobres receberão mais álcool, para chegar até o grau de 18/19, e esses serão os vinhos olorosos, que são mais encorpados, e quase que lembra um licor.

Os vinhos que provamos lá no degustação, são todos da vinícola Fernando de Castilla. Provamos 5 vinhos no dia e cada um é totalmente diferente do outro. Começando pela cor, onde provamos vinhos bem claros na cor palha, até vinhos mais escuros, quase chegando ao tom caramelo escuro, âmbar. Na boca, quase todos eram secos, somente um último de sobremesa que era mais doce.

Para harmonizações? É bem claro né?! Os vinhos mais leves e claros, combinam com saladas, peixes e pratos mais leves, mais tropicais. Agora os vinhos mais alcoólicos, mais intensos, combinam com pratos mais fortes também, condimentados, pratos mais consistentes. Tudo depende de qual vinho você escolheu para degustar durante sua refeição. Mas já adianto que com o Jerez não tem erro.

Para encontrar esses vinhos você pode acessar o site da Casa Flora Importadora, que vou listar ali embaixo para vocês. Aliás, aproveite para dar uma olhadinha com mais atenção ao site deles, pois eles possuem uma carta e bebidas fantástica com preços bem competitivos. Vale a pena dar uma olhada e lá, vocês podem encontrar todos os vinhos Fernando de Castilla que tive a oportunidade de provar. Corre lá!

www.casaflora.com.br

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