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A Vida e Paz de Sophie Magret – Capítulo 10

Capítulo 10

– Nossa, como esse domingo está lindo. – Disse Sophie, caminhando ao lado de Jacques, mas sem segurar em sua mão.

– Sim, está particularmente bem mais bonito do que os outros domingos. – Ele disse e deu uma piscadela para ela, que entendeu o galanteio, obviamente.

– Vamos caminhar no Jardin de Tuileries? – Perguntou Sophie.

– Claro, estamos indo para essa direção, mesmo. Você sabia que esse foi o primeiro parque público de Paris?

– Sim. O primeiro parque que as pessoas normais poderiam visitar, sem precisar fazer parte da realeza. – Respondeu Sophie.

– Sim. – Ele deu uma pausa. – Sobre o que você cria, Sophie? Você me disse que pinta telas e escreve páginas e mais páginas, mas não mostra nada a ninguém. Por quê? Tem medo ou raiva de algo?

– Não. Não sei… – Ela pensou. – A única pessoa que via meus trabalhos era minha mãe. Não deixava nem meu pai ver, pois ele era completamente contra a arte e nada para ele estava bom. Minha mãe tinha sensibilidade para ver e criticar da maneira correta. Sabe que os artistas veem suas obras como seus filhos. Difícil receber uma crítica sobre um filho. Ela saiba as palavras certas para não me machucar tanto.

– E a Marrion?

– Bom, para ela tudo vai estar bom, mesmo sendo horrível. Ela elogia demais, ao contrário do que meu pai era. – Eles deram risada.

– Bom, tem aquela mulher, a Getrude. Acho que ela seria uma ótima crítica. – Afirmou Jacques.

– Sim, mas ela trabalha com os melhores. Aí não seria justo comigo. – Sophie mordeu os lábios, tentando esconder que estava procurando razões para não mostrar seu trabalho.

– Ora, mas você pode estar nesse grupo. – Ele disse ela rolou os olhos. – Eu posso ver seus quadros, ou ler algo que tenha escrito.

– Aí chegamos ao ponto que você queria, não é?! – Sophie disse e eles deram risada. – Quem sabe um dia eu deixe que você veja algo, Jacques. Mas agora não é o momento. Não sei se confio totalmente em você.

– E o que eu preciso fazer para que confie em mim? – Jacques disse e passou o braço puxando Sophie para mais perto.

– Não sei. Mas continue sendo quem você está sendo. Está indo por um bom caminho. – Sophie disse com sinceridade. E eles continuaram caminhando sem dizer muitas palavras.

– Me espere aqui. – Disse Jacques. – Vou buscar algo ali, já volto. – E saiu apressado sem esperar que Sophie dissesse algo. E ela o esperou, pensando que em toda sua vida, jamais havia esperado por um homem. Ela sentiu suas mãos suarem frio e ela ficou nervosa ao constatar que estava gostando de estar se envolvendo com Jacques. Ela acendeu um cigarro para tentar se distrair e quase não consegue segurar o isqueiro entre suas mãos.

– Querida Sophie. – Ela escutou a voz gentil de Gertrude vindo por cima de seus ombros e logo se virou para abraça-la, com um sorriso. – Pensei em tê-la visto ontem na festa, mas a moça que pensei que fosse você estava acompanhada por um rapaz. Então, achei que não fosse você.

– Éééé… – Sophie deu de ombros e logo Jacques apareceu atrás dela, segurando uma cesta com pães, queijos, vinho, espumante e frutas vermelhas frescas. Também havia algumas flores na cesta.

– Vamos fazer nosso pic-nic? – Disse Jacques, se aproximando e sorriu ao ver Gertrude Stein. – Oh! A senhora deve ser Gertrude! – Ele sorriu e esticou sua mão para ela, que não entendeu nada, apenas sorriu e apertou sua mão de volta.

– Sim, sou. E você deve ser o rapaz que está acompanhando nossa doce Sophie desde ontem na festa, certo? – Declarou Gertrude, enquanto Sophie estava mordendo os lábios, de boca fechada e querendo desaparecer em um buraco no chão, naquele exato momento.

– Sim. Nos conhecemos ontem. Mas acho que as máscaras ajudaram a nos conhecermos melhor. – Jacques disse isso sorrindo e olhou para Sophie, que acanhada retribuiu com um sorriso sem mostrar os dentes. – Nos acompanha para o pic-nic, Gertrude?

– Não, obrigada. Preciso levar pães para minhas crianças no ateliê. Estão todos inspirados após a festa de ontem. – Eles deram risada. – Acho que todos nós estamos. – Gertrude olhou para Sophie, que ainda estava de boca fechada, arrastando seu pé no chão, fumando seu cigarro. – Só parei para falar um olá à Sophie. Vejo vocês mais tarde no Café Gerbois?

– Não sei, querida. Ainda estou bem cansada de ontem. – Disse Sophie. Gertrude apenas assentiu com a cabeça, sorrindo gentilmente para eles, pensando que eles formavam um belo casal e também pensando que haveria dezenas de corações partidos por Sophie estar envolvida com aquele rapaz.

– Um bom domingo, Gertrude. E um prazer imenso conhecê-la. – Disse Jacques. Ela sorriu, beijou o rosto de Sophie, apertou a mão de Jacques e se foi. Sophie respirou fundo, voltando a andar sem dizer uma palavra. – Está com vergonha de andar ao meu lado, Sophie? Ele perguntou e ela se apressou em negar.

– Não, não. Jamais! Não é isso. – Ela pensou. – É que tudo isso é muito novo para mim, entende? Nunca me viram com alguém, nunca souberam de algo que eu tivesse feito. Não estou acostumada com isso.

– Se quiser ir mais devagar, ou simplesmente não ir a lugar nenhum, eu vou entender e respeitar sua decisão. – Jacques disse, com um tom mais entristecido. Sophie olhou para ele e sorriu, entrelaçando seus dedos na mão de Jacques que estava vazia. Jacques sentiu seu coração bater mais forte e uma felicidade enorme tomou conta de si.

– Essa velocidade está ótima para mim. – Declarou Sophie, sorrindo e olhando para ele.

Ao chegar no jardim, eles escolheram um lugar embaixo de uma árvore para esticar a toalha e fazerem o pin-nic. Sophie estava encantada com os cuidados e toda a atenção que Jacques estava tendo com ela. A escolha do vinho, dos pães, de tudo. Eles conversaram sobre quase tudo, bem animadamente.

– Você não quer me contar como foi o acidente com seus pais? – Jacques perguntou.

Sophie não havia contado sobre isso a ninguém. Apenas Marrion sabia com detalhes os fatos daquele dia. Ela não gostava de contar nada sobre aquele dia. Mas pensou que deveria contar a ele, sendo que ele estava lhe contando diversas coisas pessoais. Ela rodou o vinho dentro da taça, olhando para o líquido vermelho e respirou fundo. Olhou de volta para Jacques e assentiu com a cabeça. Ela havia concordado em lhe contar.

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